#47 – Eternamente,
Para M. Alves.
Pra você o que é eternidade? É possível determinar um início, meio e fim? É um ciclo. Um vício. E nós, sendo puramente matéria, feitos de carne, não podemos simplesmente alcançar ou ganhar a eternidade. Não nos foi permitido, não nessa existência. Não podemos sentir plenamente o significado dessa palavra.
Mas gosto de imaginar ou acreditar que podemos sentir uma fração do seu valor. Uma fração, não um e/ou o inteiro. Uma fração da felicidade. Uma fração de tristeza. Paz ou Amor. Nada aqui pode ou deve ser pleno. Enfim, uma fração do que podemos chamar de eternidade.
A eternidade está aqui nesse momento. Em nossos sorrisos, nossos olhares, nossas risadas A vida inteira passando diante de nós. Hoje somos eternos. Amanhã não. Hoje e todos os dias somos eternos. Uma, duas ou várias vezes ao dia. Somos eternos cada vez que compartilhamos. Somos eternos aqui e agora.
Anps, 22 de Fevereiro.
#46 – Nossos genios desmerecidos,
“O mundo da arte é uma expressão profunda da vida, do que está vivo com todas suas ambigüidades e valores. A arte expressa o que somos (nossa interioridade) e o que queremos ser e não ser…”.
(Gabriel Izquierdo Maldonado)
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As bocas são muitas e o falatório é adverso. Mas a maioria concorda e diz que estamos estacionados no tempo. Esta reclamação é voltada principalmente para a área artística. A discussão é que não há novos movimentos revolucionários – assim por dizer – literários, filosóficos ou musicais. Alguns dizem que é um século em vão. Não há nada novo ou extraordinário. Os mais pessimistas dizem que passaremos esse século em branco.
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Não há nada comparado às escolas filosóficas da Antiguidade ou ao Impressionismo que surgiu no séc. XIX do francês Monet. E se tratando de literatura temos o romancista brasileiro Álvares de Azevedo com seus belos poemas. Talvez jamais haja algo que se iguale ao rock clássico dos Beatles nos anos 60, ou a Bossa Nova que se iniciou no final dos anos 50, com os genais: Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes entre tantos outros. Os gênios são inúmeros.
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A questão é que hoje há nomes que se destacam em qualquer dessas áreas. Mas dizem que nada parece ser bom o suficiente para criar um novo modo de visão ou estilo de vida que atinja a toda a massa ou provoque falatório geral. Isso é um fato. Obviamente nós sofremos influencias artísticas, o humano necessita estar conectado a arte de alguma forma, mas nada de grande magnitude.
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O mundo não deixou de ser mundo, estamos apenas em épocas diferentes. Agora há uma maior concentração de pessoas e conseqüentemente uma “competição” mais acirrada. Nossos pequenos gênios não deixaram de existir, estão todos espalhados por aqui para dar novas perspectivas conforme as nossas necessidades.
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O grande problema é que não parece haver espaço suficiente para todos eles e o poder da mídia – por nosso consentimento – coloca em evidência poucos. Alguns nem mesmo recebem o destaque que mereciam. Se estamos visivelmente estagnados em algum movimento artístico que seja, grande parte da culpa é nossa que não abrimos nosso campo de visão para o novo e o que há de vir. Somos nós que de inúmeras maneiras e formas não damos o valor que estes merecem.
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#45 – ML 03: Samsara,
Surpreendeu-se com o colapso repentino do instante
E tentou, em vão, deter a realidade do sonho que ruía
Não queria deixar tudo cair novamente no esquecimento
Mas as suas mãos escorregavam através das sombras…
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Como esperado, o sol invadiu o céu rompendo toda a escuridão, iluminando toda a terra. Hoje não é um dia diferente, mas também não quero dizer que seja igual, talvez apenas mais um dia rotineiro.
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Na verdade, nenhum dia é como o outro, nem mesmo as horas se igualam. Até o sol nasce em pontos diferentes todos os dias. E engana-se quem acha que ele permanece ali no mesmo lugar, sempre.
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Hoje é a primeira manhã das centenas de manhãs que passarei aqui neste veleiro preso em águas congeladas da Antártica. E é assim que eu começo as minhas pesquisas: reafirmando que nada, nem por um segundo, se repete… tudo está mudando incessantemente.
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Surpreendeu-se com o colapso repentino do gelo
E tentou, em vão, deter a tempestade que surgiu
Não podia desistir de seu sonho mesmo que longe
Mas as suas mãos afundavam na profundeza do mar…
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Como esperado, o sol invadiu o céu rompendo toda a escuridão, iluminando toda a terra. Hoje não é um dia diferente, mas também não quero dizer que seja igual, talvez apenas mais um dia rotineiro…
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Por:
Jerônimo Sanz
Mariana Khalil
Má Khalil
fevereiro 23, 2012
Nós
íntegra »
#44 – Felicidade,
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Dizem que “o sofrimento é o intervalo entre duas felicidades”, aliás, Vinícius de Moraes, sabiamente nos deixou esse presente entre tantos outros e a maioria de nós, repetimos aos ventos essas palavras, agarramos essa idéia até as raízes como uma verdade. O fato de haver mais felicidade do que sofrimento nos faz seguir em frente, nos faz acreditar que de alguma forma após o nascer do sol, tudo poderá ser melhor.
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Tantos outros já nos falaram sobre a felicidade. Mas se tratando de Vinícius, não quero contradizê-lo, longe de mim. Imagine!; Jamais cometeria este tipo de pecado. Entendo quando Vinícius diz que nenhum sofrimento é eterno, mas gosto de acreditar em um segundo tipo de felicidade.
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Não me refiro a essa felicidade que vivenciamos dias sim, dias não. Aliás, não é nem um “segundo estilo”, porque não há como ou o quê classificar. E se houvesse e me fosse permitido, diria que esse é um “primeiro estilo”, porque aponto para uma felicidade plena, que está um pouco além de tudo que é substancial, não está presa em momentos ou em conquistas, ou presa ao sim ou não.
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É uma felicidade presa a nós e que está em nosso poder, uma felicidade simples, que vem de dentro pra fora e transforma o meio. Que exige dos insensatos um punhado de paciência para se conquistar. É uma paz que emana tranqüilidade dos poros. É a felicidade plantada nos seus olhos e transferida para outros sorrisos. É simplesmente uma felicidade compartilhada.
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#43 – Mistura Literaria 01,
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“Como você me dói de vez em quando…”
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O tempo passou tanto desde a última vez que esbocei os traços do seu rosto naquele papel delicado que escolhi. O tempo passou, os ventos passaram, mas não tombei.
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E nos nossos sorrisos constaram a certeza de caminhos distintos.
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O tempo, quando passou. Brilho nos olhos, voos alçados, devaneios, noites. Eu vi bem de perto as suas mãos tocando as minhas numa rapidez infinita.
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Os mesmos ventos que trouxeram as boas notícias e levaram consigo as raspas de grafite, deixaram no meu rosto a marca de um tempo que passou. Me fiz mulher.
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Não posso negar que essa calma curiosa que há por debaixo dos meus pés são um dom. Você mesmo admira isso em mim. Como também admira o movimento leve dos meus pés e das minhas mãos. Em mim, o tempo também passa.
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Provei o gosto da boemia.
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Senti o gosto dos beijos.
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Poesia.
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Você passa o tempo. E diz tantas coisas, escreve do seu mundo, se esforça para dominar o turbilhão de sentimentos que tem dentro, mas só eu posso te dizer com toda a minha tranqüilidade que alcancei a paz de viver a vida de cada olhar e de cada respiração.
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Nesses dias calmos e tênues você procura os meus olhos em outros olhos. E talvez nos esbarremos por uma ou outra rua e não nos reconheçamos. Mas não! seria impossível; acho até que os olhos e o sorriso são demasiadamente fiéis, eles jamais mudariam. É como se o tempo não passasse.
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Mas passa. E passará mais leve e intenso. A nossa virtude ficará estampada ainda mais forte em nossos corpos. E não teremos como negar aquilo que vivemos senão a certeza do sorriso em mais um alvorecer.
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Eu sou o tempo que passa.
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E hoje, sou eu quem chove sobre os campos que você buscou.
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Por Mariana Khalil e Pedro Vinícius.
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#42 – A Palavra,
“Chegará um dia em que homens não irão ter mais coragem…”.
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Resgatado de tempos onde à honra se bastava com a palavra. A palavra era respeitada. Um tempo em que homens e mulheres eram fiéis aos seus ideais.
“Juro-lhe lealdade entre essas terras e esses céus enquanto viver. Não hesitarei em ajudar meus irmãos enquanto puder. Prometo-lhe ser justo e não fechar meus olhos para as injustiças. Seguirei meu caminho com retidão, mas defenderei com minha vida se necessário for a quem devoto meu Amor. Não temerei a destruição, porque carrego em meu coração Paz. Lutarei com as minhas forças pelos nossos ideais. Atravessarei longos campos além das fronteiras, mas jamais esquecerei desse dia. Porque minha esperança se renovará a cada amanhecer sob a Luz Divina.”
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#41 – Dias Irreais,
Abri os olhos, olhei rapidamente em volta, era real. Eu estava ali. A primeira lembrança que tenho é de tê-lo visto deitado ao meu lado ainda com os olhos levemente fechados e numa respiração profunda e calma. Acho que você sonhava de olhos fechados e eu sonhava com os olhos abertos. Dessa vez não tentei acordá-lo, pelo contrário, fiquei ali somente observando-o. Levantei, olhei pela janela, o dia já estava claro o bastante embora ainda fosse cedo. Olhei para ti novamente, sabia que aquele momento logo terminaria, então, secretamente “click” o eternizei numa fotografia, uma foto que você nunca soube, e que talvez, jamais saberá. A fotografia ficou um tanto escura, mas jamais o acordaria com um flash. Deitei novamente ao seu lado. Acordei. Era irreal. Ainda sonho com sua fotografia.
#40 – Deuses e Madonas,
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I
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Nós estávamos ali, na calçada, esperando o sinal abrir para atravessarmos a avenida. Olhei para o alto, o céu estava em um completo azul infinito, alguns pássaros voaram e sumiram atrás de um arranha-céu. Pensei: “Está perfeito…”, a brisa que batia em meu rosto confirmava o pensamento.
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O sinal abriu para nós, as pessoas passavam de um lado para o outro, apressadas, contentes, enlouquecidas. O sol estava leve, gostoso de sentir ao toque. Nós de mãos dadas seguimos o percurso e mais adiante surgiu o edifício pelos quais meus olhos sempre procuraram, por uma vida inteira, talvez.
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II
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A surpresa maior foi perceber que a arte exposta era quase que divina. Estava andando entre “Deuses e Madonas”. Meu corpo instantaneamente se apaixonou pelas cores e formatos. Lá dentro perdi-me completamente. Os olhos curiosos desbravavam cada metro quadrado, cada pedacinho.
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Estavam todos ali juntos, Salvador Dali, Monet, Manet, Van Gogh, Renoir, Portinari. Apenas alguns dos muitos que estavam presentes, andava completamente atônita entre tantas pinceladas e cores tão incríveis quanto seus mestres. Jamais havia presenciado algo parecido e não se sabe ao certo se voltarei a presenciar qualquer coisa nesse sentido.
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Os mestres então começaram a me falar sobre suas cores e traços, todos eles queriam detalhar suas técnicas, todos eles sorriam me convidando a ficar mais e mais, mas na verdade, diante de tantos mestres o seu sorriso entre eles ofuscava qualquer beleza renascentista.
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